Lapig/UFG reúne pesquisadores de 8 países em workshop para debater manejo sustentável de pastagens
Encontro presencial do projeto Time2Graze alinha estratégias para criar ferramentas voltadas ao manejo de pastagens e à mitigação de metano relacionado à atividade pecuária
De 14 a 18/09, o Laboratório de Sensoriamento Remoto e Geoprocessamento (Lapig), vinculado ao Instituto de Estudos Sócio-Ambientais (Iesa) da Universidade Federal de Goiás (UFG), por meio do Programa de Pesquisa em Pastagens, realizou o workshop do projeto internacional Time2Graze, vinculado à iniciativa Global Methane Hub. O evento marcou o primeiro encontro presencial dos membros, reunindo pesquisadores, especialistas e parceiros institucionais dos oito países (Brasil, Argentina, Uruguai, Colômbia, Nigéria, Uganda, Tanzânia e Zimbábue) que integram a cooperação global.
O projeto Time2Graze
Financiado pelo Global Methane Hub, o Time2Graze é uma cooperação internacional focada em transformar o manejo da pecuária por meio de tecnologias de monitoramento espacial. O projeto visa disponibilizar aos produtores rurais ferramentas capazes de avaliar, em tempo real, a disponibilidade de forragens, indicando o momento ideal para o manejo do gado. Segundo Santiago Rafael Fariña, diretor sênior de programas agrícolas do Global Methane Hub, a meta central é impulsionar práticas sustentáveis que elevem a produtividade de carne e leite, a fim de restaurar ecossistemas degradados, fortalecer a resiliência climática e reduzir as emissões de metano entérico.
Sob a liderança do Instituto de Recursos Globais (WRI), a iniciativa desenvolve um sistema de dados baseado em sensoriamento remoto para a América Latina (áreas tropicais e temperadas) e a África. Com base nesses dados, o Centro Internacional de Agricultura Tropical (CIAT), o Instituto Nacional de Investigação Agropecuária do Uruguai (INIA) e o Fundo Global para a Natureza (WWF) criarão ferramentas regionais de apoio à tomada de decisão.
O projeto conta com 35 parceiros globais, como a rede Global Pasture Watch, a fundação OpenGeoHub, universidades e associações de pecuaristas, além de prever o desenvolvimento e a validação de ferramentas nacionais em propriedades de teste.
Troca de experiências e integração global
O evento ocorreu durante cinco dias, contou com a parceria da Funape, em uma programação que incluiu minicursos, apresentações panorâmicas sobre a realidade do setor produtivo nos países integrantes e momentos de alinhamento estratégico entre as equipes. Para encerrar as atividades, os participantes realizaram uma visita de campo a uma propriedade de criação de gado na cidade de Goiás, a Fazenda Buriti Queimado, onde puderam dialogar diretamente com o produtor rural sobre os desafios do manejo diário e as variáveis que orientam suas tomadas de decisão. Ao final, os pesquisadores realizaram uma imersão cultural no centro histórico da cidade.
A doutoranda em Ciências Ambientais e pesquisadora do Lapig, Nathália Teles, enfatizou como a convivência direta entre essa diversidade de pessoas acelera as entregas do projeto e enriquece a compreensão sobre os diferentes modelos produtivos: “O principal é essa troca de conhecimento. Ter essas equipes vindo aqui pessoalmente agrega muito no sentido de conhecermos outras formas de fazer pecuária.”
Aprendizados e relevância
Para o coordenador do Programa de Pesquisa e Pastagens, e um dos coordenadores do projeto no Brasil, professor Laerte Guimarães Ferreira, o encontro atingiu seus objetivos técnicos e humanos. Além disso, também salienta a importância da iniciativa: “Esse é um projeto que tem um potencial de relevância global, porque se nós queremos reduzir as emissões de gás de estufa do planeta, e nós precisamos, já que o aquecimento global é uma realidade, nós temos que reduzir as emissões de metano associadas à pecuária”.
O workshop destaca o papel estratégico do Lapig/Iesa/UFG no Brasil enquanto um centro de pesquisa que pensa e propõe soluções para o melhor desenvolvimento das pastagens sustentáveis no país.