Projeto do Lapig é selecionado em fórum do iCS com projeto de IA para gestão sustentável de pastagens
Iniciativa foi uma das oito selecionadas em chamada nacional do Instituto Clima e Sociedade, focada em inteligência artificial aplicada à ação climática.
O projeto “Gestão sustentável da propriedade rural: integrando sensoriamento remoto e inteligência artificial (IA)”, desenvolvido pelo Laboratório de Sensoriamento Remoto e Geoprocessamento (Lapig) da Universidade Federal de Goiás (UFG), foi apresentado no dia 15 de outubro, em Brasília, durante um fórum do Instituto Clima e Sociedade (iCS), dedicada a soluções de inteligência artificial aplicadas à ação climática. A iniciativa conta com apoio do Google e recebeu 395 propostas, das quais apenas oito foram selecionadas.
A proposta apresentada pelo Lapig nasce diretamente da trajetória do laboratório, que desde 2008 trabalha no mapeamento de pastagens e monitoramento ambiental por sensoriamento remoto, integrando iniciativas como MapBiomas. Segundo o professor Laerte Guimarães Ferreira, coordenador do Programa de Pesquisa em Pastagem, e que também coordena o projeto, o laboratório sempre produziu dados públicos, abertos e gratuitos, com forte compromisso com a ciência aberta e a iniciativa selecionada representa “o passo necessário para levar esses dados até a escala onde eles mais importam, a da propriedade rural, especialmente a familiar”.
IA aplicada à agricultura familiar
O projeto tem como objetivo desenvolver o PastoLegal, agente de IA onde o produtor poderá solicitar, via WhatsApp, dados sobre sua propriedade e receber, em resposta automatizada, mapas, alertas e orientações de manejo.
Os dados serão atualizados a cada cinco dias sobre estoque de forragem, risco de degradação e orientação para manejo de pastagens, com precisão de até 0,1 hectare. A solução utilizará imagens dos satélites Sentinel 2A, 2B e 2C, combinadas a Foundation models e estratégias avançadas de machine learning e deep learning.
As aplicações da IA no projeto foram desenhadas para fortalecer diretamente a agricultura familiar, permitindo decisões de manejo em tempo quase real. A tecnologia atuará como ferramenta de apoio aos produtores que não têm acesso a assistência técnica constante, e poderá orientar rotação de pasto, monitoramento de degradação e adaptação a eventos climáticos.
Além de melhorar a gestão das pastagens e o uso do solo, o projeto também tem potencial para orientar bancos e instituições financeiras na concessão de crédito rural, reduzindo riscos e incentivando práticas sustentáveis.
A solução também deve apoiar políticas públicas como o Plano ABC+ (Agricultura de Baixo Carbono) e o Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas. “Queremos que os dados gerados pelo Lapig sirvam para quem está no campo, que hoje não têm acesso a essas tecnologias. Nosso objetivo é oferecer informações simples e confiáveis que ajudem o produtor a tomar decisões melhores, aumentar a produtividade e conservar o ambiente”, explicou Laerte.
Reconhecimento estratégico
A seleção do projeto pelo iCS representa, segundo Laerte, um marco institucional. “Mais do que um reconhecimento científico, este resultado reforça a responsabilidade do Lapig em liderar soluções escaláveis para agricultura sustentável e inteligência territorial.”
O projeto do Lapig envolve estudantes de graduação, mestrado e doutorado, e conta com parcerias com o Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA/UFG), o Centro Interinstitucional de Inteligência Artificial Aplicada a Políticas Públicas (CIAP) e a startup Solved, ligada ao MapBiomas.